Tribuna da imprensa online
www.tribuna.inf.br  edição de 16/12/02 - texto de Helio Fernandes

Suzane (com o namorado) matou o pai

Mas empreiteiros e altos escalões
estão envolvidos no "crime hediondo"

Entre os diversos crimes policiais que fascinaram a opinião pública, está naturalmente o de São Paulo. Neste, Suzane (e o namorado Daniel) é acusada de ter assassinado o pai, ou pelo menos ter planejado tudo. A partir da reviravolta, detalhes espetaculares. Decidi então separar o exame desse crime para hoje, usando o espaço inteiro. É o que passo a fazer.

O crime de São Paulo foi impressionante. Matar os pais é o verdadeiro crime hediondo. No princípio era o horror desse tipo de crime, a própria polícia de São Paulo "aceitou a tese", de que o crime fora praticado pelo namorado de Suzane, ela "apenas" concordara. Mas como alguns fatos não "casavam", espremeram o namorado e surgiram fatos incríveis, até agora não revelados.

O namorado de Suzane informou à polícia: "Quem me deu os dólares foi Suzane, e prometeu muito mais". Aí a polícia descobriu um esquema inacreditável, todo armado e explorado por Suzane, a partir de uma confissão do próprio pai. Este lhe deu a senha de uma conta no exterior, e com isso possibilitou a Suzane seduzir e fascinar o namorado.

O pai de Suzane, Manfred Von Richtofen, era diretor do Dersa em São Paulo, ligadíssimo a empreiteiros-parceiros-pagadores. Combinando o crime com o namorado, Suzane sabia que, descoberto, não herdaria nada do pai no Brasil, mas ficaria com a riquíssima conta do exterior. Ela partia da certeza de que o namorado seria o principal (e acreditava) único condenado. Mas ela poderia sair "chamuscada". Como não existe crime perfeito, tudo está sendo descoberto.

E mais grave para ela: o pai, que mostrava evolução patrimonial incompatível com seus ganhos, (mansão comprada à vista, carro zero para a própria Suzane, e tudo o que o dinheiro fácil permite) era depositário daqueles que recebiam por fora, e tinham que confiar nele.

Von Richtofen já se preparava para ir morar na Alemanha com a família.

Os advogados do namorado (e do irmão dele) já se preparam e vão abrir o jogo, para diminuir a culpa do namorado e do irmão. E acham que têm enorme chance de virar "o jogo". Suzane agora, está transformada em arquivo vivo desses "pagamentos por fora". Nem ela está tranqüila. Tudo pode acontecer, só esperavam passar o tempo eleitoral.

* * *

Surgiram agora, no horizonte, os seguintes fatos que estavam encobertos, não ganhavam o sol diário. As nuvens vão sendo afastadas, Receita Federal, polícia, Procuradoria entraram em cena, tentam esclarecer estes fatos.

1 - A Receita Federal já apurava a "evolução patrimonial" de Richtofen. Tiveram a atenção provocada pelos seus gastos e gostos luxuosos, incompatíveis com os salários.

2 - Estão sendo investigados, por três órgãos diversos, (federais) os últimos empregos de Richtofen. Em todos era "assalariado", nada que permitisse as "extravagâncias".

3 - A Receita acredita que indo fundo, vai abrir "a caixa-preta" da Dersa-SP.

4 - Tratavam disso há algum tempo, os obstáculos eram grandes.

5 - Essa Dersa participou e participa das maiores obras viárias do estado.

6 - Já existem pistas que levam à investigação, pelo menos a duas grandes empreiteiras. Uma delas foi que colocou Richtofen na Dersa.

7 - A Polícia Federal faz a sua parte e muito bem. Já localizou viagens ao exterior de Suzane (e do namorado), na companhia do próprio pai.

8 - Essa polícia já tem elementos convincentes sobre desvios (escondidos) de dinheiro feitos pela própria Suzane na conta externa do pai.

9 - Os dólares que o namorado de Suzane diz que recebeu dela, teriam vindo dessa conta. De onde mais?

10 - Ao lhe dar a "senha da conta no exterior", Richtofen não disse à filha que só uma parte do dinheiro era dele.

11 - Não contou, nem podia contar mesmo, que empreiteiros-pagadores-parceiros, eram donos de dois terços.

12 - Dele era o outro terço, nunca essa percentagem valeu tanto.

13 - Quando soube, pela competente advogada, da propriedade verdadeira da conta, Suzane ficou intranqüila, assustada e, segundo a própria polícia, "apavorada".

14 - Determinação da competente advogada: "Não diga nada à polícia sem minha autorização. Eles só têm suspeitas e mais nada".

15 - E depois, definitiva: "Se tivermos mesmo que falar, só faremos isso na Justiça".

16 - Suzane vem resistindo, apesar do "cerco" cada vez maior da Polícia Federal.

17 - Agora os fatos se complicaram, não só para Suzane. Surgiram personagens importantes na área dos empreiteiros e fora deles, todos considerados inatingíveis.

18 - Cobraram da Procuradoria, "o mesmo empenho tido na procura de contas de Maluf no exterior". Esse trabalho que chegou ao litoral da Inglaterra, foi considerado ótimo.

19 - Acontece que a Procuradora que ganhou muitos pontos e elogios trabalhando contra Maluf, é i-m-p-o-r-t-a-n-t-í-s-s-i-m-a.

20 - Se chegarem a ela, chegarão não só aos empreiteiros, mas a esquemas f-o-r-m-i-d-á-v-e-i-s de utilização do Poder, E EM ALTOS ESCALÕES.

21 - Essa competente Procuradora foi nomeada há pouco por FHC para ficar 1 ano "trabalhando e se aperfeiçoando na ONU".

22 - É evidente que não é qualquer um que consegue um "estágio" como esse, depois de ter estudado na França, à custa do País.

23 - Ela mesmo se recusa a tomar qualquer providência no caso e afirma: "Não tenho mais nada com isso, vou viajar para os EUA".

24 - Isso, garantida pelo marido, ainda mais i-m-p-o-r-t-a-n-t-e do que ela.

25 - Ou melhor dizendo, tão i-m-p-o-r-t-a-n-t-e quanto.

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