"Reflorestamento": mais uma falácia do Rodoanel
 
Fotos: Fabio Schunck


 

 

Isto é o que tem sido o plantio compensatório das obras do trecho sul do rodoanel.
Segundo os dados oficiais, foram derrubados 212 hectares de Mata Atlântica em estágio avançado, ou primário. (Na época foi encontrada uma bromélia cuja espécie não se via há 70 anos e já era considerada extinta. Agora, certamente, essa extinção se consuma). Seriam compensados 1.016 hectares com um “programa de reflorestamento”.

As imagens apenas reforçam aquilo que já se viu no trecho oeste. No sul, não foi diferente. Que cuidados tem recebido tudo o que foi plantado até agora – com a tão propagada "qualidade"? Quanto custou? Como se posiciona o Ministério Público Federal, que "costurou" as condicionantes para o licenciamento da obra, incluindo estas compensações? Cadê o Ibama? Que também deu sua opinião.
O seguinte texto foi extraído do sítio da Dersa.




PROGRAMA DE REFLORESTAMENTO

 

"Como forma de mitigação pela supressão de 212 hectares de vegetação nativa nos estágios médio ou avançado de regeneração, está em execução o reflorestamento com espécies nativas em áreas correspondentes a 1.016 ha, de acordo com critérios estabelecidos na Resolução SMA 08/2008, garantindo o desenvolvimento das mudas plantadas por um período de 24 meses. A quantidade total de mudas de essências nativas a serem plantadas é de, aproximadamente, 2,5 milhões de mudas.

Para tanto, foram contratadas três empresas para execução dos serviços de implantação de viveiros, elaboração de projetos executivos de plantio e manutenção, fornecimento e plantio de mudas de essências florestais nativas do Bioma Mata Atlântica no período de até 24 meses e manutenção dessas áreas reflorestadas por mais 24 meses, a partir do plantio, além do cercamento dessas áreas quando necessário.
" (grifos nossos)

Veja imagens das mudas que foram plantadas ao longo de um trecho do Rodoanel próximo à cidade de Embu. Registro fotográfico em 30 de maio de 2010. Já faz mais de seis meses que essas mudas foram plantadas e quase todas estão mortas ou com problemas de crescimento, pois não existe manutenção; foram plantadas e abandonadas.

Aí está a realidade da proposta de compensação ambiental desta mega-obra. Um exemplo de que conservação e preocupação com o meio ambiente raras vezes saem do marketing e do papel dos documentos oficiais.
 
Foram desmatadas florestas fechadas, estruturadas ecologicamente para depois se replantarem pequenas mudas em áreas abertas e degradadas. E sobre a fauna silvestre expulsa por esse desmatamento, quem se ocupou dela? Está acabada nessa região. A esse respeito, veja matéria "Brincando de Deus: plantio de árvores para recriar a Mata Atlântica", de Germano Woehl Jr., em link no final deste artigo.

Colaboração: César Pegoraro e Fabio Schunck

 

Aproveitando as fotos e o protesto do colega Fabio Schunck, quero ampliar ainda mais o que a imagem tenta dizer. A Eritrina da foto, bifurcada na base, jamais será uma árvore. Apesar de ser uma espécie altamente rústica e adaptável a solos pobres, a sobrevida da muda nos mostra que as condições as quais ela foi submetida no plantio foram as mais drásticas possíveis. Literalmente enterrada. Isso sem contar a procedência, já que a bifurcação na base, que inviabiliza a boa formação de copa, mostra como o viveiro trata sem critério as mudas para esta compensação.
O Instituto de Botânica diz que foram plantados mais de 80% das mudas.
E apergunta que não quer calar é: ONDE ESTÃO AS MUDAS?
Se o plantio todo for feito com esta qualidade, perdemos 212 hectares de matas bastante desenvolvidas! Quem souber de outras áreas "compensadas", por favor fotografe ou nos comunique, para que possamos acompanhar de perto este descaso com o meio ambiente.

Silvano - Projeto Mais Verde
www.projetomaisverde.xpg.com.br


Veja também: "Brincando de Deus: plantio de árvores para recriar a Mata Atlântica"